Saturday, October 29, 2011

Corrupção e Dilma


O Brasil é fértil em corrupção e atropelo aos direitos humanos.
A abundância relativa que conseguiu nos últimos anos, graças em parte à descoberta das jazidas de petróleo, pode ser rapidamente anulada por um crescimento enorme dos funcionários públicos e do Aparelho Federal e dos Estados.
Dilma Roussef já vai no despedimento do seu 8º ministro suspeito. Tem sido uma lutadora incansável. Merece poder continuar o seu trabalho.

Sunday, September 25, 2011

Actualidade e geração de 60

 Houve hoje dois acontecimentos de grande importância: a manifestação dos indignados na Madeira e a manifestação contra a ditadura de José Eduardo dos Santos em Luanda.

 Houve também o comentário de Vasco Pulido Valente no Público, que considera a geração de 60 uma geração perdida.

 Eu sou da Geração de 60. Vivi nessa década dos 12 aos 22 anos e lamento ter estado intoxicado com ideias comunistas durante a minha juventude. Mas a falta de informação em Portugal era tão grande, e o desastre do mundo dito Capitalista tão evidente, após a tentativa do imperialismo alemão de dominar o mundo, que conduziu à segunda Guerra mundial, que o bloco comunista surgia como a única alternativa de governo e de sociedade em Portugal.

 Então a política ainda se fazia de régua e esquadro, e os amanhãs ainda cantavam. E os movimentos extremistas eram os únicos que se mexiam em Portugal.

 Com a vinda do 25 de Abril e com a tendência dos portugueses para o compromisso e o desenrasca a gente honesta foi desertando da política e a democracia ficou entregue a políticos desonestos, comprometidos, de vistas curtas e perigosos, que tornaram possível  a catástrofe atual.

 Será ainda possível inverter este estado de coisas?

 Como elemento desta geração realizei a maior parte do meu trabalho na medicina, mas ainda gostaria de dar um contributo novo e original para que a nossa sociedade avance.

Saturday, September 10, 2011

Camões, os Lusíadas, canto Primeiro

Ó grandes e gravíssimos perigos,
Ó caminho de vida nunca certo,
Que aonde a gente põe sua esperança
Tenha a vida tão pouca segurança!

No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher -se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Wednesday, September 07, 2011

Transplantes


Afinal de contas quais são os incentivos aos transplantes e como são usados?
Não foi divulgado, e toda esta polémica se passa sem que se saiba qual é este valor, como é formado e distribuído.
E não valeria a pena apoiar igualmente outros profissionais e especialidades inovadoras e corajosas?

Monday, September 05, 2011

Mais uma vez, António Barreto

http://www.publico.pt, de 2011-09-03
O sociólogo António Barreto defendeu hoje uma nova Constituição para Portugal, aprovada pela primeira vez com um referendo popular e após um debate que envolva toda a sociedade. Pede, acima de tudo, uma Constituição “de princípios universais e permanentes”.

Numa intervenção na Universidade de Verão do PSD, que amanhã termina em Castelo de Vide, Barreto considerou mesmo a revisão da carta magna do país uma “tarefa muito urgente”.
“A revisão constitucional, ou a refundação da Constituição, ou a elaboração de uma nova Constituição é uma tarefa muito urgente, muito séria e que não deve ser feita como no passado”, disse aos alunos sociais-democratas.
Barreto alegou que os tempos de crise não são impeditivos de uma revisão da Constituição, lembrando que a de 1976 foi feita durante a maior crise que Portugal já viveu. “E foi essa Constituição que ajudou a resolver a crise”, acrescentou.
Barreto não crê que a actual Constituição seja a causa dos problemas de Portugal, mas afirma não ter dúvidas que impede o país “de encontrar melhores soluções”. “Defendo uma nova Constituição, cuja estrutura, essência, dimensão, linguagem, propósito sejam muito diferentes da actual”.
O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos enumerou os argumentos que considera fundamentais para a mudança da carta magna do país. O primeiro prende-se com o facto de “haver muita gente que se queixa da Constituição” e desta estar “sempre a ser evocada a bem e a mal, estar sempre a ser posta em causa”.
Também, a actual Constituição impede políticas e reformas. “Impede a procura livre de soluções para muitos dos nossos problemas”, disse Barreto.
A “carga ideológica” da Constituição é outro dos argumentos – o que, segundo Barreto, “obriga a políticas concretas, contrárias à vontade do soberano” eleito.
O facto de condicionar “excessivamente o Parlamento e o Governo, o legislador e as novas gerações” e de transformar “muito frequentemente os debates políticos em ‘a favor’ ou ‘contra’ a Constituição”, em vez de “se discutirem os méritos da proposta A ou B”, foram outros dos argumentos defendidos pelo sociólogo.
Por fim, acrescentou “que todas as gerações têm o direito de rever a Constituição, sobretudo quando é muito política ou programática”.
Quanto ao método de revisão, António Barreto propõe que o Governo e a Assembleia da República “digam ao povo o que pretendem” e que seja criada uma comissão de debate sobre a Constituição, com um mandato de uma ano e aberta a toda a sociedade. “Que ninguém diga ‘não tenho nada a ver com isso’”, afirmou. Tal debate terminaria com um referendo, “em que, pela primeira vez, os portugueses digam ‘sim’ ou ‘não’ à Constituição”.
Barreto considerou ainda que a actual Constituição é “super-defensiva” e “cheia de ratoeiras”. Mas o principal defeito, acrescentou, “o mais importante defeito”, é que “diminui a liberdade dos cidadãos e dos seus representantes”.
“Obriga as gerações actuais e futuras a aceitarem decisões de gerações anteriores e limita a liberdade de escolha e decisão dos governos e dos parlamentos para traçarem as políticas correntes”, disse António Barreto. “A maior parte da Constituição não é feita de princípios universais e permanentes, é feita de orientações tácticas e estratégicas a curto prazo e de circunstâncias”, explicou.
Direitos universais

Barreto quer uma Constituição escrita para os cidadãos “que acabe com a fragmentação dos direitos”: “Há mais direitos parcelares que universais. Os direitos das mulheres são às centenas, os dos jovens às dezenas, os direitos das crianças são diferentes dos direitos dos jovens, os direitos dos trabalhadores são centenas, os direitos dos deficientes, dos artistas, dos imigrantes. Isto não é uma Constituição é um programa político. A Constituição define direitos universais, não importa que seja homem ou mulher.”
Renovar a representação popular é outro dos objectivos que a nova Constituição deveria conter, “nomeadamente recriar um sistema eleitoral que não exclua cidadãos”. “A Constituição excluiu nove milhões de portugueses que não se podem candidatar a eleições”, afirma.
Barreto diz que não quer um parlamento de independentes, mas diz que “se dez milhões têm o direito a eleger, os mesmos dez milhões deveriam ter direito a ser eleitos”. Até porque acredita que, quando for possível haver candidaturas independentes, que essas candidaturas criariam “racionalidade às decisões”. Ou seja, “quando os partidos políticos se sentirem ameaçados” por candidaturas independentes vão escolher melhor os seus candidatos.
Reformar a Constituição judiciária é outra das propostas de António Barreto, considerando que a justiça “é o pior problema de Portugal”. E deu alguns exemplos do que, nesta matéria, devia ser revisto: “Evitar que o presidente do Supremo [Tribunal de Justiça] seja o presidente do Conselho Superior [de Magistratura]; eliminar os três conselhos superiores e fazer um só e retirar poderes ao Conselho Superior.”

“Em Portugal criou-se um vício semântico e político: em nome da independência do juiz quando julga, principio que eu reputo quase sagrado, criou-se a independência em auto-gestão dos juízes. E isso é inaceitável. Se os juízes são órgãos de soberania como alguns pretendem ser, têm de respeitar o soberano. E o soberano é o povo”, salientou.
Manifestou-se também contra o movimento sindical dos juízes que deveria “ser inibido”: “Os militares são inibidos do direito sindical e ninguém grita. Os juízes também o deveriam ser.”
O sociólogo diz que pretende “um debate sereno, profundo, racional sobre a Constituição, durante meses e não de supetão. Quem fizer este debate, que o faça sabendo que o povo está à escuta”.

Wednesday, August 24, 2011

Ericeira, 2011-08-24.

Celebrar o fim do dia com uma bebida,

o fim das férias,
o ocaso da vida
vivida com teimosia a cada momento;
celebrar com amêijoas,
lapas dos Açores, langueirão e ostras
comidas no César, na Ericeira,
que não é só simpatia. É mais do que isso.
Enquanto leio o Planisfério Pessoal, de Gonçalo Cadilhe,
Celebro e aproximação da terceira idade.

Ao longe, o pôr do sol
desenha novos continentes à vista.
A noite deixa tudo frio,
que viagens novas ainda poderei fazer?
Celebrar a última parte da vida
e  o fim da noite,
que deixa tudo frio,
enquanto me telefona o Hugo
da Maré Náutica, do barco.

Sempre me preocupei
Com a beleza pelágica do Oceano
e com tudo o que há debaixo de água:
a baleia, o peixe serra, a lula gigante
peixes do alto mar que não são daqui
e que navegam imperturbáveis no escuro e no frio.

Sempre fui um desportista do nada,
um turista do tudo
que não dá mais do que os primeiros passos
e começa cada coisa como se fosse a primeira

Agora que, depois do ocaso,
um sudário escuro cobre o horizonte,
e os mexilhões tiritam de frio
agarrados à pedra áspera
enquanto areia e água lhes passam pelas guelras

Agora a Ericeira é uma terra improvável,
mais bonita quando o norte sopra
terra de pescadores de camisola de lã
de veraneantes com a barba à Jaime Cortesão
amantes dela para a vida inteira
e de surfistas que desenham riscos em ondas impossíveis

Amanhã vou-me embora desta terra encantada,
quente e fria, primeiro resplandecente
e agora mais escura desde que o sol se pôs
enquanto, sem dormir
por baixo do mar escuro que se estende à minha frente
os Leviatans negros do ocidente
senhores da sombra e do silêncio,
do negro e do frio,
mergulham a profundidades descomunais
imperturbáveis
na sua lógica misteriosa

Saturday, August 20, 2011

Dilma Roussef, Tunísia, crise e vida conjugal



  • Dilma Roussef tem-se mostrado uma mulher de coragem, porque demite poderosos ministros que têm enveredado pela corrupção. Não consegue, no entanto, evitar o desmatamento da Amazónia mas, também aí, não está apoiada pelos grandes governos internacionais.

  • Há povos heroicos na Tunísia, no Egito e na Líbia, mas o mais heroico de todos parece ser o da Síria, completamente desarmado e esquecido por todo o mundo, que conduz a mais obstinada guerra contra o pior dos ditadores. Merece bem vencer!

  • Esta enorme crise universal pode estar a preparar o ressurgimento de seres humanos mais solidários, mais ativos e voluntariosos, e que gastam muito menos energia do que os atuais.

  • A vida conjugal é mais criativa e complexa do que a vida dos solteiros, salvo, é claro, exceções.  O encanto e a sexualidade conduzem à vida vivida em casais o mais estáveis e felizes possível, com fruição de alegria, prazer e o menor dos sobressaltos possível, onde se geram filhos e se prepara o futuro da humanidade. Então porque não se celebra este tipo de vivências,  a sexualidade masculina e feminina, o amor, em vez de nos deixarmos tutelar por um grupo de homens celibatários, incapazes de vida sexual adulta?
 
Assine meu Livro